Tu Tornaste minha divagação, guri. Qualquer assunto é desviado pra ti; pensamentos vazios tornam-se um mundo imaginário onde nele só se encontram duas pessoas: eu e você. Desfrutamos um do outro com as melhores intenções e com as piores sacanagens. És meu, sou tua. (…) O mundo está de cabeça para baixo, enquanto rolamos por ele; Sorrisos tomam conta do lugar, e o amor está no ar. Mas em um estralar de dedos, o vejo distante, guri. Afinal é apenas uma divagação. Meu devaneio vai embora e fico com a realidade.
Tenho fome, há dias não me alimento direito. Ou serão meses? Não sei. Tudo ficou confuso desde quando você se foi. Encontro-me com certa dificuldade para pensar, logo este não será um dos melhores textos. Não que já tenha tido um… Mas antes eu tinha uma forte inspiração pra escrever. Tudo que você fazia se tornava metáfora nos textos; eu arrancava lindos sorrisos seus e você me mostrava novas músicas, de um estilo musical a qual eu não apreciava muito. Agora estou aqui, na nostalgia, ouvindo aquelas músicas. Ironias do destino; bateu saudade, e resolvi ir atrás de você. O encontrei sorrindo, e isso me desmoronou. Você não podia estar sorrindo, você não deveria ter tantos planos. Soube que escreveu um livro; eu seria a primeira a comprar em outras épocas. Mas olha, preciso me alimentar, ou vou acabar morrendo. Você pode não se importar… Mas eu me importo. Quero voltar a sorrir e quando eu estiver bem nutrida, escrever o meu livro.
— Senti sua falta.
Ela reconhecera o timbre da voz e estremecera ao seu toque. Os braços dele envolveram-na pela sua cintura; forçou as coxas no corpo da moça e suspiros tomaram conta do lugar. Como se não bastasse às pernas tremulas, agora estava com dificuldade para respirar; seu coração estava á mil. Ambos queriam saciar seus desejos. Fora então à hora em que a alça da blusa fora colocada de lado. E ao ver a pequena mostra de pele, levou seus lábios ao local, depositando beijos quentes. As mãos do rapaz corriam por um trajeto bem conhecido: o corpo da moça. Ela então se colocara em sua frente e lhe roubara um beijo. A intensidade daquele beijo poderia ser descrita como se fosse o primeiro, onde você descobre novas sensações. Mas ao mesmo tempo, também poderia ser sentido como o ultimo beijo, como se depois que seus lábios se separassem, o mundo fosse acabar. Nada ali lhes importava, a não ser a presença um do outro; encontravam-se com sede. Sede de amor. E o término daquela tarde nublada, começara com uma noite calorosa de amor.
Quem mentira foras tu? Logo tu que tinhas horror à mentira. Falara a verdade doesse a quem doesse; renegaste a sociedade e o mundo, por sua mentira e sua hipocrisia. Mas tu foras o primeiro a mentir, a enganar. E o pior… Não se arrependeste de nada.
Há um tesouro guardado na ultima gaveta da pequena escrivaninha; uma caixinha de joias com uma fortuna imensa, uma fortuna diferente. Não há ouro ali, ou qualquer outra importância. Apenas uma bailarina e uma doce melodia, que encantam. Vamos bailarina, tire nossa dor; dance conforme a melodia. Traga de volta os tempos vividos de criança, onde nada tinha importância. Apenas queríamos ser melhores, queríamos mudar o mundo com tamanha ingenuidade de criança. Mas a melodia tomara outro rumo, enquanto tu danças, lágrimas escorrem por rostos tristes, rostos nostálgicos que sentem falta da verdadeira pureza infantil. Tua pilha acabou e nós crescemos. A nova melodia tocada esta na base do egoísmo, onde a ingenuidade passa longe; será que voltarás a dançar? Oh sim! Quem sabe ainda restam crianças que encantadas com a melodia saibam encantar aqueles que se perderam de tu, bailarina.
Há quem não entenda essa lealdade. Oras, cada um com suas paixões. A minha vai além de limites, quero dizer, não há limites. Meu coração acelera a cada movimento; meus olhos se enchem de lágrimas a cada emoção. Estarei lá, seja em sua derrota, seja em sua vitória. Pois eu o amo, eu o amo demais. E me prendo a essa paixão cada dia mais.
És meu orgulho, és o causador dos meus sorrisos mais belos, és minha alegria, minha paixão, meu amor. És tu, tricolor paulista.
Caminhava em minha direção; cabelos ao vento e um sorriso sincero. Moça tu és tão bela. Não sabe o quanto lhe quero. Todas as noites, ao deitar-me, imagino-me sempre ao seu lado. Sonho acordado com uma doce ilusão que me faz querer sonhar ainda mais; será que seus belos olhos já me acompanharam? Ou melhor… Sabes quem sou? Na verdade isso não importa, pelo menos não agora. Só quero voltar a sonhar, pois enquanto sonho, sei que você estará lá.
Sua voz carinhosa me despertou, estava deitada sobre suas pernas; ele apenas sorria, era apenas carinho. Carinho à qual nunca oferecemos um ao outro. A embriaguez inesperada me deixara feliz, alegre, sorridente. Minha voz estridente irritará a qualquer um, menos a ele. E eu ainda usava a embriaguez como pretexto para apoiar-me sobre seu colo. Ele estava sereno, não havia tomado sequer um gole de álcool, por mais que não estivesse totalmente lúcida eu me lembro de cada movimento de seu beijo. Beijo a qual me fez pecar. Incesto. Pratiquei o incesto com aquele que eu jurava ódio mortal.
O arrependimento pousou sobre meu corpo, não é fácil chatear uma pessoa e se magoar com isso. Estou sofrendo porque queria ter aceitado, queria você aqui comigo. Mas agora é tarde… Você se foi, assim como os outros.